segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Filme: Sunlight Jr.

Título original: Sunlight Jr.
Diretor: Laurie Collyer
Roteirista: Laurie Collyer
Gênero: Drama
Ano: 2013
Duração: 90 min

Melissa é uma operadora de caixa em uma típica loja de conveniência americana e ao lado de Richie, seu namorado paraplégico, ela vive uma vida supostamente feliz, apesar das extremas dificuldades financeiras que quase chegam a beirar a extrema pobreza.

Eles vivem em um quarto de motel, onde mantêm uma vida sexual ativa. Entretanto, Richie sente-se constantemente culpado pela situação deles, pois em sua mente a sua condição o transformou em uma pessoa inválida e sem serventia para a sociedade americana. Por isso, ele contenta-se em concertar alguns eletrônicos, isso se ele não estiver afogando as suas mágoas com bebidas baratas.

Enquanto isso, sua mulher enfrenta arduamente as humilhações e os assédios constantes de seu patrão e de seu ex-namorado. Mas, uma gravidez repentina ressuscita, aparentemente, o ânimo do casal perante tantas dificuldades, porém tal felicidade não dura muito quando a vida de Melissa e Richie sai completamente dos trilhos, levando-os a caminhos opostos e doloridos.

A cena da personagem Richie no escritório do departamento de benefícios me marcou muito. Quando ele devaneia vendo-se livre da cadeira e andando novamente é a afirmação de como a personagem se enxerga: inválido e sem serventia. O que ele continuará sendo enquanto não se ver de outra forma. E isso retrata muito bem os deficientes americanos que enfrentam o preconceito em um país extremamente preconceituoso, junto com a imposição que a sociedade faz a eles, determinando que são inválidos e não possuem um lugar na sociedade utópica americana.

Em contraponto, a personagem Melissa retrata a busca por algo melhor, a esperança que muitos americanos sem poder aquisitivo possuem de um dia fazer uma faculdade, nem que seja comunitária, o que é algo extremamente inferior nesta sociedade. E a atriz Naomi Watts me surpreendeu muito com sua atuação ao dar vida à personagem, foi uma das melhores atuações que a atriz teve em sua carreira. Suas expressões foram captadas magistralmente com os lances de câmera. Eram tão convincentes e comoventes que me deixou arrepiado em muitas cenas. A equipe de maquiagem foi primordial para que a atriz conseguisse passar as consequências decadentes da vida da personagem.

E ela não é a única surpresa no filme, Matt Dillon surpreende muito em sua atuação como Richie. Eu assisti poucos filmes com ele e, dos poucos que vi, esse foi o único que ele me surpreendeu como ator.


A diretora e roteirista, Laurie Collyer, soube retratar com muita maestria a felicidade e a tristeza que é a vida deste casal, criticando o sistema e a sociedade americana, retratando o estilo de vida pobre e lamentável, e o ciclo da pobreza com a falta de oportunidades que, geralmente, perpetuam-se de geração à geração. Com um final que não é nem feliz ou estabelecido, ela mostra com beleza inexplicável que o sonho americano é uma noção ainda dormente para muitos.

MUITO BOM, VOCÊ PRECISA ASSISTIR!